A Construção da União dos
Militantes Ateus (1925-1931)

Vitaliy Shishakov

Novembro de 1932


Título Original: Союз Воинствующих Безбожников (1925-1931).

Fonte Original: Coleção “Воинствующее Безбожие в СССР за 15 Лет (1917-1932)” (15 anos de Ateísmo Militante na URSS — 1917-1932), páginas 328-339; preparado pelo Conselho Central da União dos Militantes Ateus (SVB) e o Instituto de Filosofia da Academia Comunista — Editora Estatal Ateísta (GAIZ), Moscou, 1932.

Tradução, Adaptação, Tratamento e HTML: Thales Caramante.

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Durante os anos da Guerra Civil, quase inexistia literatura ateísta na Rússia. No entanto, tanto as massas quanto os ainda escassos entusiastas da causa ateísta sentiam uma necessidade premente desses materiais, indispensáveis para sustentar intervenções públicas e organizar uma propaganda política em larga escala. De forma esporádica, circulava o órgão oficial do Comissariado do Povo para a Justiça, “Revolyutsiya i Tserkov” (A Revolução e a Igreja), e, em tiragem reduzida, foram publicados alguns números do jornal “Religiya i Nauka” (A Religião e a Ciência).

Praticamente não havia quadros qualificados para o trabalho ateísta. Apenas alguns camaradas da direção conseguiam, entre as múltiplas responsabilidades da construção soviética, reservar tempo para impulsionar essa frente específica de combate ideológico — entre eles Emelyan Yaroslavsky, Pyotr Krasikov, Ivan Skvortsov-Stepanov, a escritora Larissa Reissner e outros.

Em 1919, junto ao Comitê de Moscou do Partido e à Universidade Comunista Sverdlov, realizaram-se, pela primeira vez, seminários ateístas. Esses encontros projetaram novos camaradas para a Frente Ateísta e formaram alguns quadros para tarefas dirigentes no movimento ateu de massas. Pequenos núcleos de ateus militantes passaram então a concentrar, em Moscou, as forças iniciais do trabalho sistemático de propaganda materialista.

O Partido sempre dedicou grande atenção ao desenvolvimento do combate ideológico contra a religião. As Resoluções dos 12º e 13º Congressos do Partido Comunista da União Soviética (Bolchevique) (PCUS-B) estabeleceram diretrizes específicas sobre as bases, o conteúdo e os métodos da propaganda ateísta.

Vladimir Lênin, em seu artigo publicado na revista “Pod Znamenem Marksizma” (Sob a Bandeira do Marxismo), número 03 de 1922 — texto que constitui simultaneamente um testamento filosófico e ateísta militante — destacou de maneira categórica a necessidade de uma propaganda ateísta combativa e incessante em toda a frente dos materialistas militantes.

Enquanto isso, nas diversas regiões do país, tornava-se cada vez mais aguda a necessidade de organizar um Ativo ateísta entre os militantes do Partido. Muito antes da fundação formal da União dos Militantes Ateus (SVB), começaram a surgir, em várias cidades, associações de ateus engajados.

A mais antiga dessas organizações foi, sem dúvida, a União Provincial de Ateístas de Voronej (também denominada “Sociedade de Propaganda e Agitação Ateísta”). Fundada em 1921, desenvolveu, ao longo de quatro anos, um trabalho significativo, inclusive com a publicação de seus próprios materiais impressos.

O espaço deste artigo não permite acompanhar, ainda que de forma sumária, a trajetória e o desenvolvimento dessas organizações locais. Registre-se apenas que mesmo os poucos núcleos regionais vinculados à União de Voronej demonstraram plena vitalidade. Com a criação da União dos Militantes Ateus (SVB), adotaram imediatamente seu estatuto e converteram-se nas células mais antigas da nova organização.

O valor dessa atividade pioneira pode ser ilustrado por um exemplo concreto: uma das mais antigas e sólidas fazendas coletivas ateístas — que reunia toda a aldeia de Petrovskoe, no distrito de Paninsky, no Oblast das Terras Negras Centrais, com mais de duzentas propriedades camponesas — consolidou-se graças ao intenso trabalho ateísta conduzido pelo grupo local da União Estadual de Ateístas de Voronej.

Cabe ainda mencionar a criação, em 1921, do grupo de militantes ateus moscovitas, que à época se chamavam seu grupo apenas de “Os Ateus”. Essa organização, contudo, não conseguiu estabelecer vínculos orgânicos com as massas, permanecendo ao longo do tempo como um círculo relativamente fechado, dedicado sobretudo à atividade editorial.

No final de 1922, saiu o primeiro número do jornal “Bezbozhnik” (O Ateu), pela editora da revista “Krasnaya Nov” (Solo Vermelho). Em janeiro de 1923, começou a circular a revista mensal “Bezbozhnik u Stanka” (O Ateu no Chão de Fábrica)(1). Ambas as publicações se converteram em centros organizadores do trabalho ateísta.

A redação da revista “O Ateu no Chão de Fábrica” agrupou ao seu redor parte dos ateus em Moscou, que no outono de 1923 se uniram ao grupo de militantes ateus moscovitas. Já a redação do jornal “O Ateu”, ao articular uma rede de correspondentes cada vez mais ampla em Moscou e em toda a URSS, preparava as bases para o que viria a ser organização da União dos Militantes Ateus (SVB) em larga escala por todo o país.

É desse período a discussão travada nas páginas do “Pravda” (A Verdade) e dessas duas publicações sobre o conteúdo e a orientação da propaganda ateísta. A editora da revista “O Ateu no Chão de Fábrica”, a camarada Maria Kostelovskaya, criticava o jornal “O Ateu” por dedicar excessiva atenção à história e à mitologia. Defendia que o trabalho ateu deveria concentrar-se na denúncia da essência de classe da religião, mas, na prática, restringia essa abordagem à denúncia do papel de classe das organizações religiosas e do clero.

Essa polêmica — cujos ecos reapareceriam diversas vezes até o 2º Congresso Pan-Soviético da União dos Militantes Ateus (SVB) — constituiu a primeira etapa de uma luta em duas frentes pela preservação da pureza das posições marxista-leninistas no combate à religião.

Ao estudar os materiais da discussão, os diversos leitores ateus enviavam à redação do jornal “O Ateu” propostas de resoluções, nas quais insistiam na necessidade de unificação das publicações. Em resposta a essas reivindicações das massas, foi convocada, em 28 de agosto de 1924, a primeira assembleia constitutiva da “Sociedade dos Amigos do Jornal ‘O Ateu’”. Nesta Assembleia, foi eleita primeira Direção do Conselho Central, sob a direção do camarada Emelyan Yaroslavsky, e aprovado o Estatuto Provisório da SVB.

Desde seus primeiros números, o jornal “O Ateu” já lançava as bases da unificação das forças ateístas. Em várias localidades, onde o jornal era lido e debatido coletivamente, começaram a surgir grupos de correspondentes e, posteriormente, núcleos dos “Amigos do Jornal”. É verdade que a criação dessas organizações primárias não encontrava a mesma receptividade em todos os lugares. Contudo, havia clareza generalizada sobre o papel que uma organização voluntária de ateus poderia desempenhar.

Durante muito tempo, por exemplo, na Ucrânia vigorou a proibição total de organizações cuja tarefa direta fosse o combate à religião. Recomendava-se que o trabalho ateísta fosse reduzido à propaganda das ciências naturais e a temas de estudos regionais. Sob a bandeira de círculos de caráter científico-natural, regionalista, agronômico e similares, era praticamente a única forma possível de organização dos ateus na Ucrânia naquele momento. Na prática, isso conduzia a uma quase completa ausência de trabalho ateísta nas bases da sociedade ucraniana.

A justificativa imediata para a proibição da organização da União dos Militantes Ateus (SVB) na Ucrânia eram os excessos ocorridos em 1922–1923 durante os chamados “carnavais ateístas”. Para evitar tais métodos superficiais — desprovidos de uma abordagem profunda — alguns camaradas acabaram pendendo para o extremo oposto. Na realidade, a proibição das organizações ateístas travava o combate e, em sua essência, representava uma posição de oportunismo de direita.

Tornava-se cada vez mais urgente a necessidade de uma unificação de todos os ateus em escala de toda a União Soviética sob a orientação do Partido. O primeiro passo decisivo foi dado no congresso dos correspondentes do jornal “O Ateu” e da Sociedade dos Amigos do Jornal, realizado em 19 de abril de 1925. O congresso resolveu diversas questões relativas à unificação organizativa, ao conteúdo, aos métodos e às formas do trabalho ateísta.

Ainda não foi nesse momento que se criou formalmente a União dos Militantes Ateus (SVB); isso ocorreu em junho do mesmo ano, quando a ‘Sociedade dos Amigos do Jornal’ foi transformada formalmente na SVB. Naquele período, a questão do conteúdo e da orientação da propaganda ateístas colocava-se com grande acuidade. Delineavam-se duas linhas principais quanto ao conteúdo do trabalho ateísta. Eis como o camarada Emelyan Yaroslavsky caracterizava aquele momento:

As duas posições reduziam-se à contraposição entre anticlericalismo e propaganda ateísta, quando, na realidade, esses dois aspectos eram inseparáveis. Ao mesmo tempo, parte dos camaradas defendia um simplismo extremo, segundo o qual toda a propaganda ateísta deveria limitar-se à denúncia das raízes sociais da religião, tratada apenas como obstáculo ao avanço da construção socialista.

Essa posição era apresentada como contraposta a uma suposta “ilustração abstrata”, atribuída à “Sociedade dos Amigos do Jornal ‘O Ateu’” e à redação do próprio jornal. Misturavam-se a isso outras questões — as raízes sociais e as causas do crescimento do sectarismo(2), bem como os métodos da propaganda ateísta.

Essas disputas foram resolvidas integralmente a favor da redação de “O Ateu” na Conferência Ateísta junto ao Comitê Central do Partido, realizada em abril de 1926. Nessa ocasião foram aprovadas, em linhas gerais, as teses elaboradas pela “Sociedade dos Amigos do Jornal” e pela redação do jornal “O Ateu”: sobre as tarefas e os métodos da propaganda ateístas; sobre o sectarismo; e sobre o trabalho entre as minorias nacionais. Essas teses, elaboradas com base na experiência acumulada da propaganda ateísta na URSS e nas Resoluções adotadas, tornaram-se o fundamento de todo o trabalho subsequente.

A partir desse momento, o trabalho adquiriu maior sistematicidade. A União dos Militantes Ateus (SVB) consolidou-se como um movimento de massas. O ano de 1926 e boa parte de 1927 foram dedicados a superar tendências liquidacionistas presentes na propaganda ateísta — tendências que surgiram como reação a certos exageros do período inicial, os quais haviam produzido resultados negativos.

Esse espírito liquidacionista manifestava-se no fato de que, em muitas organizações, sequer se estruturavam núcleos da União dos Militantes Ateus (SVB).

Como resultado da discussão e das Resoluções aprovadas na Conferência Ateísta do Partido junto ao Comitê Central, em 1926, as tendências liquidacionistas foram em grande medida derrotadas.

Contudo, não desapareceram por completo. Em certos lugares ainda persistiam — e persistem —, e foi precisamente contra essas inclinações liquidacionistas na propaganda ateísta que o camarada Stálin se pronunciou recentemente, em entrevista concedida a uma delegação norte-americana:

[...] Isso significa que o Partido é neutro em relação à religião? Não, não significa. Conduzimos propaganda — e continuaremos a conduzir — contra os preconceitos religiosos. A legislação de nosso país garante a cada cidadão o direito de professar qualquer religião. Trata-se de uma questão de consciência individual. Foi precisamente por isso que realizamos a separação entre a Igreja e o Estado(3).

Contudo, ao estabelecer essa separação e proclamar a liberdade de culto, asseguramos igualmente a cada cidadão o direito de combater, por meio do trabalho de base, do convencimento, da agitação e da propaganda, esta ou aquela religião, ou mesmo toda e qualquer religião. O Partido não pode ser neutro diante da religião; ele desenvolve propaganda ateísta contra todos os preconceitos religiosos, pois se orienta pela ciência, enquanto os preconceitos religiosos se colocam em oposição à ciência, já que toda religião é algo contrário ao conhecimento científico.

Casos como os ocorridos nos Estados Unidos, onde recentemente foram condenados darwinistas(4), são impossíveis entre nós, porque o Partido conduz uma política de defesa intransigente da ciência.

O Partido não pode ser neutro diante dos preconceitos religiosos e continuará a combatê-los por meio da propaganda, pois esse é um dos meios mais eficazes de minar a influência do clero reacionário, que apoia as classes exploradoras e prega a submissão a essas classes.

O Partido tampouco pode ser neutro diante dos portadores desses preconceitos religiosos, isto é, diante do clero reacionário que envenena a consciência das massas trabalhadoras.

Suprimimos o clero reacionário? Sim, suprimimos. O problema é que ele ainda não foi completamente liquidado. É por meio da agitação e a propaganda ateísta que devemos levar até o fim a tarefa de liquidar o clero reacionário.

Há casos em que certos militantes do Partido tentam obstruir o pleno desenvolvimento da agitação e da propaganda ateísta. Quando tais militantes são expulsos, isso é algo justo e correto, pois semelhantes “comunistas” não têm lugar nas fileiras do nosso Partido.

As questões organizativas resolviam-se de modo lento e difícil. Até o 2º Congresso Pan-Soviético da União dos Militantes Ateus (SVB) ainda não existia, em sentido pleno, uma organização unificada. Nas localidades podiam vigorar Estatutos próprios. O Conselho Central da SVB funcionava mais como centro editorial e, em parte, metodológico. Não dirigia uma organização única, mas articulava uniões locais de ateus, que, em rigor, nem sequer eram obrigadas a integrar-se ao conjunto geral, caso não o desejassem.

Privado das funções essenciais de direção — sobretudo as funções organizativas —, o 1º Conselho Central não pôde realizar tudo o que se exigia dele. Essa situação refletia-se dolorosamente na disciplina, na planificação do trabalho e nas possibilidades materiais da atividade desenvolvida.

Ainda assim, mesmo nessas condições, o trabalho da SVB foi marcado por êxitos significativos.

Antes de tudo — e isso tem importância decisiva — lançou-se uma base sólida para a formação de quadros ateus, que logo se ampliou de forma considerável. Publicaram-se livros didáticos científico-ateístas junto a uma vasta literatura filosoficamente densa e especializada. Organizaram-se cursos, seminários e círculos de estudo tanto em Moscou quanto nas diversas localidades da URSS.

Ano após ano crescia o número de iniciativas formativas promovidas pela SVB. Em 1928 e 1929, realizaram-se duas vezes cursos nacionais de formação política científico-ateísta. Adotou-se também o método de ensino remoto por correspondência.

No início de 1929, surgiu uma nova forma de formação política por iniciativa da SVB: os Seminários Científico-Ateístas, que nos anos seguintes alcançariam ampla difusão. A primeira foi inaugurada em 5 de dezembro de 1928, no distrito “Proletário”, da cidade de Moscou.

Além disso, os círculos primários de estudo funcionavam anualmente em quase todas as organizações de base da SVB, somando-se aos milhares.

Paralelamente, a SVB desenvolvia ampla agitação e propaganda científica ateísta entre as massas. Realizavam-se milhares de palestras e conferências e, até 1927, também debates públicos.

Os anos de 1926 e 1928 podem ser considerados momentos de inflexão quanto ao fortalecimento da atenção dedicada à propaganda científica, ateísta e quanto ao aprofundamento no uso de métodos diversos. A propaganda passou a ser organizada de forma mais sistemática no Exército Vermelho. Após o 1º Congresso Pan-Soviético de Professores, milhares de docentes foram mobilizados para essa tarefa, desempenhando papel de grande relevância.

Os sindicatos, por meio do Conselho Central dos Sindicatos da União Soviética (VTSPS), orientaram todas as suas organizações a intensificar, ao lado do trabalho cultural e de formação política geral, a propaganda ateísta e a prestar apoio às células e espaços da União dos Militantes Ateus (SVB).

Por ocasião do décimo aniversário da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917, organizou-se o primeiro Museu Ateu da URSS. Museus semelhantes — ou Departamentos Ateístas, Departamentos de Propaganda Ateísta — foram criados em várias cidades. Preparou-se, inclusive, uma exposição itinerante ateísta destinada ao exterior.

A propaganda ateísta na imprensa em geral assumiu importância imensa. Em 1926–1927 foi intensificada, e em muitas organizações surgiram jornais ateístas em forma de cartazes para murais.

No cinema, no teatro, nos centros culturais e nas bibliotecas públicas rurais, nas transmissões radiofônicas — por toda parte os elementos de propaganda ateístas apareciam com crescente nitidez. Obteve grande êxito, por exemplo, a encenação da peça “A Festa de São Jorge”, de Bergstedt.

Já no primeiro ano de sua existência, a SVB conquistou seu ingresso na Internacional dos Livres-Pensadores Proletários (IPS).

Não se limitando às relações unicamente com o Comitê Executivo da IPS, o Conselho Central da SVB estabeleceu contatos diretos com todas as organizações a ela vinculadas. Por meio desses laços, a SVB desenvolveu amplo trabalho de informação junto aos trabalhadores estrangeiros, esclarecendo o que realmente ocorria na URSS e desmascarando incessantemente as calúnias reacionárias propagadas pelo clérigo e pela burguesia contra a pátria soviética. Ao mesmo tempo, transmitia às organizações irmãs do exterior a experiência acumulada na luta ateísta de massas.

Com o objetivo de consolidar vínculos internacionais e apresentar a realidade soviética aos ateus proletários de outros países, o Conselho Central da SVB organizou, em 1926 e 1927, a recepção de duas delegações estrangeiras de alto nível de ateus. Como resultado, informações verídicas sobre a URSS e sobre o movimento ateísta ali existente passaram a circular cada vez mais amplamente no exterior.

Em janeiro de 1928, a União dos Militantes Ateus (SVB), por meio de sua delegação — composta pelos camaradas Alexander Lukachevsky, Mikhail Sheinman e Dmitry Ignatyuk — participou do Congresso em Köln da Internacional dos Livres-Pensadores Proletários (IPS). A delegação soviética combateu as plataformas da social-democracia e defendeu novas orientações marxista-leninistas no que dizia respeito ao trabalho de militância ateísta.

No Congresso em Köln, de 1928, a tendência marxista-leninista conseguiu aprovar, por maioria, resoluções combativas que se tornaram, em pleno sentido, um programa de demarcação política entre as teses reformistas e revolucionárias. Essas resoluções afirmavam a necessidade de vincular o trabalho ateísta às tarefas políticas gerais do proletariado e denunciavam a venalidade e a traição de líderes como Boncour e MacDonald.

No dia seguinte ao Congresso, os dirigentes social-democratas lançaram violento ataque contra as Resoluções aprovadas. Em contrapartida, os elementos de esquerda, antes incertos, abraçaram as teses e a plataforma de ação dos revolucionários e começaram a agrupar-se em torno da linha estabelecida por essas Resoluções.

A SVB e seu Conselho Central realizaram, nesse período, um amplo trabalho de grande envergadura teórica no campo da formação político-ateísta da juventude.

Em 1926–1927, a SVB encontrava-se praticamente isolada na chamada Frente Pioneira. Em 1925, o Conselho Científico Estatal havia publicado uma circular metodológica intitulada “Sobre a Educação Não-Religiosa nas Escolas”. Muitos pedagogos interpretaram esse documento como uma renúncia completa à luta ateísta no sistema de ensino.

Enquanto isso, o inimigo de classe desenvolvia intensa atividade entre a juventude pioneira. Agentes clandestinos e declarados dos kulaks promoviam discretamente a doutrinação dogmático-religiosa nas crianças, não raro até mesmo dentro das paredes da escola soviética. Multiplicavam-se os casos de criação de escolas religiosas e grupos de ensino da religião. O clero e os sectários também intensificaram consideravelmente sua atuação entre a juventude em geral.

Foi nesse contexto de luta ideológica que os ateus militantes lançaram a campanha pela substituição da chamada “educação não-religiosa” por uma educação abertamente ateísta.

O Conselho Central e seu órgão “O Ateu” conduziram essa campanha com perseverança. Ela não se limitou à crítica da concepção de neutralidade escolar, mas envolveu também a elaboração de propostas práticas e orientações concretas. Desenvolveram-se diretrizes metodológicas, programas de cursos e planos de atividades.

A campanha culminou em pleno êxito. Inicialmente, em várias localidades, começaram a ser elaboradas e aplicadas orientações metodológicas para a educação ateísta. Finalmente, em março de 1929, o próprio Comissariado do Povo para a Educação Pública publicou sua 1ª Circular Metodológica para a Educação Ateísta.

Passemos, ainda que de forma sucinta, à atividade editorial da SVB nesse período. Além de seu órgão principal, o jornal “O Ateu”, o Conselho Central iniciou, em outubro de 1925, a publicação de uma revista ilustrada com o mesmo título, e, a partir de janeiro de 1926, passou a editar a revista teórico-cultural “O Ateu”.

O jornal “O Ateu”, que desde o início estabeleceu vínculos sólidos com os ateus das localidades, desempenhou permanentemente o papel de tribuna combativa do ateísmo militante. O crescimento contínuo de sua tiragem, sua vasta rede de correspondentes — que ultrapassava cinco mil em 1930 — e a abundância de respostas de leitores são indicadores de sua ampla difusão e autoridade entre toda a sociedade soviética.

Numerosas cartas de antigos religiosos testemunham que o jornal conquistou muitos deles para as posições do materialismo histórico e dialético.

Papel particularmente destacado desempenhou a revista “O Ateu”, órgão de difusão científico-metodológico do Conselho Central. Como principal publicação teórica da SVB, a revista teve de sustentar uma luta em duas frentes contra diversas formas de oportunismo.

De um lado, foi necessário combater as posições e práticas da direita, que defendiam um “culturalismo” ou um “iluminismo” abstrato como conteúdo central da luta contra a religião. De outro, a revista travou luta intransigente contra todo simplismo na propaganda ateísta, contra arremetidas esquerdistas, métodos administrativos mecânicos e burocráticos, assim como outras deformações do trabalho político.

A revista sistematizou a experiência das localidades, conseguiu reunir em torno de si um ativo de escritores ateus materialistas e tornou-se instrumento indispensável para todo propagandista no centro do seu local de atuação política. Isso se evidencia nas cartas de leitores e colaboradores recebidas por ocasião de seu 5º aniversário.

Um trecho característico da carta da camarada Zykova ilustra esse reconhecimento:

A revista cresceu e se fortaleceu juntamente com a organização ateísta, passando de um periódico discreto, raro nas localidades, a uma das principais revistas científicas contemporâneas, da qual não podem prescindir nem o pesquisador, nem um militante ativo, nem o professor, seja nas profundezas do Rio Kerzhenets ou nas margens do Lago Vetluga. Sua tiragem e sua popularidade entre os trabalhadores da Frente Ateísta nos mais diversos Oblasts falam por si só. Onde uma pequena circular ou uma instrução formal não produzem efeito, a revista, não raro, desempenha um grande papel de organizador político-ideológico da nossa classe.

A necessidade de expandir amplamente a atividade editorial levou o Conselho Central a criar sua própria editora — a Editora Estatal Ateísta (GAIZ) — uma das primeiras medidas adotadas, em maio de 1925. De algumas centenas de milhares de folhas impressas de literatura ateístas em 1926, a editora ateísta alcançou, em 1929, 34 milhões de exemplares, ampliando progressivamente sua produção. As tiragens das publicações do Conselho Central cresciam constantemente, chegando a centenas de milhares de exemplares, sobretudo no caso da volumosa coleção “Literatura Didática”.

Nesse mesmo período surgiu e se desenvolveu também a imprensa ateísta local, especialmente nas repúblicas nacionais. As publicações gerais das organizações locais da SVB eram relativamente raras e irregulares. Ocasionalmente publicavam-se jornais de um dia, panfletos, filipetas, brochuras e materiais semelhantes.

Em outubro de 1925, foi lançado em Moscou o primeiro periódico ateísta em língua tártara, “Fän-Häm-Din” (Ciência e Religião).

A partir de novembro de 1927, passou a circular em Kharkov a “Das Neuland” (As Terras Virgens), uma revista ateísta para operários alemães residentes na Ucrânia.

Em 1928, iniciaram-se publicações ateístas em uzbeque, como a “Xudaysizlar” (O Ateu), na cidade de Samarcanda.

Em armênio, passamos a publicar a revista “Anastvatsy” (O Ateu) com centralidade na cidade de Erevã.

A SVB também passou a publicar seus materiais de propaganda teórica para trabalhadores mongóis residentes em Verkhneudinsk, com a revista “Shínjlel bá Sháshin” (Ciência e Religião).

Essas e outras revistas e jornais nacionais — inclusive três publicações ucranianas — tornaram-se importantes instrumentos da propaganda ateísta entre os operários e camponeses residentes nas respectivas localidades.

O período que antecedeu o 2º Congresso foi, portanto, uma etapa de organização e acumulação de forças e construção e formação de novos quadros políticos ateus.

A construção do socialismo entrava numa etapa nova e superior a partir da 15ª Conferência do Partido (outubro–novembro de 1926). Em ritmo cada vez mais acelerado, entrelaçando-se com as tarefas do período final de reconstrução, avançava a reorganização da indústria e da agricultura sob os princípios da industrialização e da eletrificação.

A luta de classes intensificava-se progressivamente. As contradições entre as classes tornavam-se mais agudas, especialmente no campo. O kulak, que voltava a erguer a cabeça, tornava-se mais insolente; ampliava-se a atividade do clero e dos sectários. E, no entanto, a opinião pública soviética ainda subestimava a importância da Frente Ateísta como parte integrante da luta de classes de massas. Nem os sindicatos, nem o Komsomol, nem as cooperativas, nem as escolas prestavam auxílio ativo ao desenvolvimento do trabalho ateísta.

No informe político do Comitê Central ao 15º Congresso do Partido (3–7 de dezembro de 1927), o camarada Stálin, ao tratar das tarefas da revolução cultural e dos seus “pontos fracos”, observou, entre outras coisas, a insuficiente dedicação, por parte da nossa sociedade, da propaganda ateísta de massas.

Temos também outra desvantagem: o enfraquecimento da luta ateísta e antirreligiosa.

Apesar de certos êxitos, a SVB não conseguiu, até o 2º Congresso, ampliar-se de maneira suficientemente ostensiva e consistente. As organizações locais da SVB estavam longe de poder considerar-se verdadeiramente militantes, suficientemente combativas e enérgicas.

A passagem definitiva ao período reconstrutivo — ao período da ofensiva socialista — foi decidida pelo Partido no 15º Congresso do PCUS(B), em dezembro de 1927, que adotou a resolução histórica sobre o curso rumo à coletivização da agricultura. O 15º Congresso constituiu o marco da liquidação da NEP e o início de uma ampla ofensiva contra os elementos capitalistas. De 1928 em diante começou o período de transição ao socialismo em toda a frente, período de intensificação do ritmo da construção socialista tanto na indústria quanto na agricultura.

Nesse período, ainda insuficientemente desenvolvida, a SVB iniciou um processo de reorganização interna. Em janeiro de 1929, realizou-se o 2º Congresso Pan-Soviético da União dos Militantes Ateus (SVB). Dois acontecimentos desse grande ano tiveram importância histórica não apenas para a luta do proletariado revolucionário no interior do país, mas também no plano estatal: a revisão da Constituição da URSS no sentido de restringir a propaganda religiosa e a liquidação do kulak como classe.

Entre as últimas medidas que favoreceram o crescimento da SVB deve-se mencionar também a reforma da Constituição da URSS no que dizia respeito à regulamentação da atividade das organizações religiosas. A nova formulação significava que toda organização religiosa gozava na URSS de liberdade de culto, desde que isso não contrariasse a ordem político-estatal. O novo texto refletia a experiência política acumulada nesse período: cada vez mais a propaganda religiosa transformava-se em instrumento da burguesia internacional contra o Estado soviético. Mantinha-se o princípio da separação entre Igreja-Estado e entre Igreja-Escola; o Estado soviético assegurava a liberdade de culto, isto é, a prática dos ritos religiosos, mas não podia permitir liberdade de propaganda religiosa que servisse de cobertura à atividade contrarrevolucionária. Pois tal “liberdade”, na prática, significaria liberdade para a propaganda antissoviética.

A mais importante decisão daquele ano — que desferiu um golpe sério contra a religião e os dogmas religiosos, enraizadas no cotidiano das massas operárias e camponesas — foi a passagem à jornada contínua de trabalho. Sob a nova organização do tempo de trabalho, deixaram de existir domingos, feriados religiosos, “segundas-feiras santas”, sábados e demais “dias santos”. A simples supressão do descanso semanal único, que concentrava trabalhadores aos domingos e feriados, criou condições para o enfraquecimento da ideologia religiosa, a qual se alimentava precisamente dessas celebrações.

É verdade que, até 1930, ainda persistiram certos resquícios de atraso religioso na organização do tempo de trabalho. Porém, já então trabalhadores do transporte, da indústria têxtil, do abastecimento de água, das usinas elétricas, dos sistemas de esgoto e de outras empresas públicas, bem como de fábricas, hospitais e restaurantes públicos, trabalhavam sob regime de jornada contínua. O passo seguinte consistia em estender esse sistema a toda a classe operária e a todos os estabelecimentos, instituições e empresas da URSS, o que foi realizado nos anos subsequentes.

A transição à jornada contínua não suprimiu de imediato a religiosidade; evidentemente, isso não poderia ocorrer de forma automática. Seria profundamente equivocado supor que a superação da religião se daria de modo espontâneo. Aqui se exigia — e foi de fato realizada — um trabalho colossal por parte da SVB, tanto para assegurar a correta aplicação da nova legislação quanto para utilizar essa mudança como alavanca no avanço político-ideológico de toda a sociedade.

Em conjunto, a situação de ofensiva socialista em todas as frentes da sociedade — de luta de classes acirrada na cidade e no campo, diante das grandiosas tarefas da construção socialista — encontrou resposta nas decisões do 2º Congresso Pan-Soviético da SVB. Tais decisões tiveram grande significado também para o Partido nas orientações que traçou.

As Resoluções do Congresso tomaram como orientação, para as tarefas futuras da SVB, a palavra de ordem: “A luta contra a religião é luta pelo socialismo”.

A SVB, a partir da palavra de ordem de seu 2º Congresso, transformava-se em um movimento voluntário de massas, com muitos milhões de membros. A organização de massas dos militantes ateus foi convocada a unir em suas fileiras amplos contingentes de trabalhadores que, sob a direção política do Partido Comunista da União Soviética (Bolchevique) (PCUS-B), atuavam pela industrialização do país, pela construção do socialismo no campo, pela realização das tarefas político-econômicas do 1º Plano Quinquenal.

O ano da grande virada tornou-se momento decisivo também na história do movimento ateísta na URSS.

Seria incorreto afirmar que, até então, a SVB não participara de modo algum da construção socialista. Numerosos núcleos rurais, por exemplo, haviam desempenhado papel ativo na melhoria da economia agrícola com os trabalhos de choque, na ampliação da organização das massas, na criação de núcleos, coordenações, células e comitês exemplares em fábricas, locais de trabalho e convivência, e assim por diante. Significativo foi também o trabalho ateísta entre o Exército Vermelho, nas ferrovias, nas fazendas coletivas e estatais. Mas é preciso destacar especialmente que, no 2º Congresso, a SVB colocou-se a tarefa de se reestruturar com os próprios recursos dos ateus, tornando-se uma organização autossuficiente — o que constituiu resposta ao apelo do Partido por uma militância ativa na construção socialista.

Em consonância com as enormes tarefas combativas da ofensiva socialista, a SVB, à altura de seu 2º Congresso, decidiu reorganizar sua estrutura com base no princípio do Centralismo Democrático, adotando Estatuto nacional único e direção central unificada. Com isso, encerrava-se o período de dispersão organizativa que havia marcado os primeiros anos.

Uma das maiores iniciativas do Congresso foi a resolução sobre o crescimento das fileiras da SVB sem relaxamento quanto à sua composição social. O congresso estabeleceu que a SVB deveria tornar-se uma organização de massas — e, em apenas oito meses, cresceu oito vezes. Esses grupos desempenharam papel considerável em todo o trabalho ateísta. Aos jovens militantes ateus foram delegadas tarefas de vanguarda importantes, ao mesmo tempo que desafiadoras:

Conduzam um trabalho meticuloso, mesmo que, as vezes, invisível, na implementação das diretrizes do Partido e do Poder Soviético às massas; organizem um amplo trabalho de agitação e convencimento das decisões econômicas, para elevar a emulação socialista; organizem a semeadura; deem o exemplo na assistência aos camponeses pobres com trabalhos de choque; ao mesmo tempo, mantenham os olhos bem abertos, mantenham a vigilância e com a guarda levantada contra as atividades dos inimigos de classe.

Se no início havia, entre alguns jovens, certo entusiasmo superficial, a experiência prática rapidamente os temperou. Em poucos anos amadureceu uma nova geração de ateus revolucionários e conscientes de sua tarefa histórica.

O 2º Congresso da SVB, juntamente com a luta contra tendências oportunistas de conciliação com a religião e contra fraseologias “esquerdistas” vazias, que apenas mascaravam simplificações na propaganda ateísta, reafirmou que a União dos Militantes Ateus devia, antes de tudo, desmascarar o papel contrarrevolucionário de classe da religião, mas também combater quaisquer deformações mecanicistas e burocráticas.

No Congresso foram igualmente aprovados importantes resoluções sobre a intensificação do trabalho ateísta entre o Exército Vermelho, entre a juventude e entre as mulheres. As decisões do 2º Congresso tornaram-se ponto de partida para uma ofensiva ampla e sistemática na Frente Ateísta.

No período da ofensiva socialista em todas as frentes, após as decisões do 15º Congresso do Partido (junho–julho de 1930), a luta contra a religião adquiriu novo impulso.

Em 1930, a União dos Militantes Ateus completava cinco anos de existência e ingressava no sexto. Evidentemente, não se pode afirmar que, nesse lapso, tenham sido superadas todas as insuficiências e contradições internas e externas a esse movimento. Por isso, examinamos brevemente os principais momentos de sua atividade no período posterior ao 2º Congresso.

Após o 2º Congresso, a SVB voltou suas forças e recursos para a participação direta nas tarefas organizativas e econômicas da construção socialista.

A metodologia do trabalho de campanha — traço marcante de toda a atividade ateísta — levou a que cada campanha fosse conduzida como um novo e mais elevado momento do ateísmo militante.

Paralelamente, a SVB desenvolveu ampla atuação na preparação da coletivização, na edificação das fazendas coletivas e na construção socialista do campo. Em todas as campanhas econômico-políticas e culturais — desde a campanha pelo pão até as iniciativas culturais de massa — a SVB participou ativamente, realizando trabalho organizativo concreto com base nas diretrizes do 2º Congresso.

A SVB devia tornar-se o destacamento de vanguarda que desse o exemplo à frente da construção socialista. Devia participar de modo direto na vida econômica e nas campanhas produtivas e culturais, assegurando a exposição meticulosa da política, das tarefas do Partido e do Poder Soviético às massas trabalhadoras. Os dirigentes das organizações locais da SVB estavam chamados a assumir papel dirigente na organização das fazendas coletivas, no aperfeiçoamento das formas coletivas de produção, na construção de estações de máquinas e tratores e na consolidação da propriedade social da terra.

O papel da SVB na construção das fazendas coletivas de caráter ateu, em particular, foi ressaltado em inúmeras assembleias e reuniões de massas. Indicava-se repetidamente que, em milhares de casos, as fazendas coletivas mais avançados revelavam, também, uma sólida organização ateísta.

Em maio de 1930, se concluiu a arrecadação de fundos para a estação de máquinas e tratores da URSS, que teve participação ativa dos ateus. Um ano depois, a 3ª Plenária Nacional da SVB decidiu lançar uma nova campanha de coleta para a construção de um submarino para o Exército Vermelho. Essa campanha também foi levada à cabo nacionalmente com grande êxito e entusiasmo da militância ateísta.

Não obstante, as arrecadações centrais ainda não abrangiam plenamente todas as organizações da SVB. Nem sempre as organizações locais atuavam de forma autônoma ou participavam ativamente nas tarefas de construção e defesa do país. Dezenas de tratores, colunas de tratores e até aviões foram construídos com recursos arrecadados pelos milhões de militantes ateus. A SVB organizou, igualmente, campanhas de doações e coletas de objetos de valor para a construção de um Planetário de divulgação científica para todo o povo soviético.

A participação ativa da SVB na construção socialista constitui o aspecto fundamental a destacar nesse período.

Além dos jornais e revistas da SVB, circulavam também dezenas de outras publicações. Ao todo, eram editados 18 periódicos (em 14 idiomas). A tiragem do jornal central ultrapassava 500 mil exemplares, e a da revista atingia 200 mil. No conjunto, as publicações ateístas somavam já dezenas de milhões de exemplares.

A SVB desenvolveu igualmente ampla atividade no campo cultural. Dezenas de milhares de rublos, arrecadados para a construção de uma escola primária modelo ateísta na Chechênia; centenas de milhares de analfabetos e semianalfabetos instruídos pelos militantes da SVB; centenas de círculos ateístas se formando nas salas de leitura, clubes e centros culturais da União Soviética — tudo isso demonstra que a SVB é um destacamento ativo também na frente da revolução cultural.

Cresciam e se fortaleciam os vínculos internacionais do movimento ateísta. A SVB ampliou significativamente suas conexões informativas, alcançando êxito na superação da cisão entre as organizações ateístas fraternas e a direção social-democrata da IPS, cisão que se tornara evidente no Congresso de Bundenbach-Děčín.

Em novembro de 1930, realizou-se inicialmente em Bundenbach, o 4º Congresso da IPS, que se desenrolou em uma luta aberta entre os marxista-leninistas e os social-democratas. Os social-democratas, com Theodor Hartwig e Max Sievers à frente, valendo-se de manobras burocráticas, obtiveram a maioria de votos que impediram a participação dos delegados das organizações revolucionárias e da oposição política, que representavam cerca de 100 mil membros. Chegaram a recusar-lhes até mesmo a condição de observadores e de debater a nossa proposta de agenda congressual. O representante social-democrata, Hartwig, pronunciou-se mantendo a sua manobra de traição.

O delegado da SVB da URSS, Alexander Lukachevsky, em nome do agrupamento revolucionário, tomou a palavra na tribuna e desmascarou a linha de traição que conduzia à fragmentação do movimento internacional de livre-pensadores e que subordinava todo o movimento ateísta proletário à plataforma político-econômica da burguesia. Após isso, leu uma declaração, na qual o agrupamento revolucionário, em nome da maioria das delegações da IPS de fato, e do princípio do internacionalismo proletário, expulsava os traidores e dissidentes, incluindo Theodor Hartwig e Max Sievers.

A sessão do Congresso foi transferida para Děčín. Naturalmente, representantes e delegados da social-democracia, mesmo que parcialmente expulsa por tentativa de golpe, também participaram das deliberações e debates. Este foi, de fato, um congresso verdadeiramente internacional. O Congresso aprovou uma série de importantes resoluções sobre o desenvolvimento ulterior do trabalho ateísta entre o proletariado, principalmente entre as mulheres e entre a juventude.

O trabalho ateísta revolucionário deveria expandir-se entre a juventude, entre o campesinato, entre os sindicatos com presença da classe operária, nos países coloniais e semicoloniais.

O congresso da IPS constituiu, por fim, uma direção proletária em sua composição de classe social e doutrina política. Da mesma forma, a SVB passou a auxiliar as organizações ateístas estrangeiras, em sua transformação em pontos de apoio internacionais de verdadeiras trincheiras da luta marxista-leninista contra o obscurantismo religioso e contra a reação cultural nos países capitalistas.

No campo da atividade internacionalista, a SVB tem desenvolvido, especialmente em 1930, enorme esforço em defesa da União Soviética. A chamada “Cruzada” ideológica do Papa Romano contra a URSS encontrou uma resposta combativa de todos os ateus do mundo. A SVB conclamou a todos os seus militantes a agir energicamente. O Conselho Central desencadeou ampla campanha de convencimento, agitação e propaganda junto aos operários estrangeiros, explicando o que realmente ocorria na URSS e qual era o sentido da campanha antissoviética conduzida sob a direção dos setores clericais e burgueses de todos os países.

Após o 2º Congresso, a SVB dedicou atenção particular à luta contra os kulaks e contra a influência religiosa no campo da URSS. O 2º Congresso denunciou energicamente os desvios direitistas e, também, os esquerdistas, que caíam para as tendências anarquistas e pequeno-burguesas que se manifestavam em certas intervenções de agitações públicas.

A 2ª Plenária Nacional da SVB, em março de 1930, já teve de enfrentar manifestações de oportunismo, amadurecidas no período das “arremetidas esquerdistas” sob a atmosfera de uma “vertigem pelos sucessos”, como destacou o camarada Stálin. A Plenária condenou decididamente as distorções oportunistas da linha marxista-leninista na luta contra a religião. Tanto a 2ª quanto a 3ª Plenária Nacional do Conselho Central da SVB (1931) sublinharam a necessidade de trabalho sistemático e politicamente equilibrado, baseado no materialismo dialético, e reafirmaram que a agitação e propaganda ateísta deviam se apoiar firmemente em fundamentos marxista-científicos.

Na 2ª Plenária Nacional da SVB, em conexão com as questões da qualidade da propaganda ateísta, colocou-se de modo agudo o problema da formação de quadros. Foram aprovadas decisões sobre a ampla expansão da formação política e do ensino ateísta. Teve importância de princípio o informe do Comissariado do Povo para a Educação Pública da URSS na Plenária, no qual se apontou criticamente a insuficiência na direção da Frente Ateísta nas escolas e nas instituições extraescolares.

Na 3ª Plenária Nacional da SVB, de 3 a 8 de novembro de 1931, participaram 62 militantes do Conselho Central e 141 representantes das organizações locais e regionais da SVB, incluindo representantes de 19 nacionalidades diferentes. A Plenária constatou que, apesar das insuficiências, a SVB havia tido êxito ao integrar-se plenamente às tarefas produtivas e culturais do terceiro ano do 1º Plano Quinquenal. À época da Plenária, já existiam 3.200 brigadas ateístas para o trabalho de choque; 61 indústrias ateístas; assim como 7 complexos industriais ateístas; e 300 fazendas coletivas ateístas.

A 3ª Plenária Nacional da SVB determinou, como tarefa central do trabalho de massas, elevar a propaganda ateístas ao nível necessário correspondente às exigências do início do último estágio do 1º Plano Quinquenal.

Dessa forma, a palavra de ordem ao fim da Plenária demarcou que cada militante ateu devia tornar-se um membro do trabalho de choque e dar o exemplo de abnegação junto à classe operária na linha de produção.

Assim, a Plenária também aprovou uma série de novas Resoluções que definiam o trabalho ulterior da SVB na frente da construção socialista. Destacou-se, em particular, a necessidade de ampliar o trabalho de massas entre os operários e camponeses sem-partido, e de prestar atenção especial ao combate às influências prejudiciais das festividades religiosas locais. O eixo central do debate foi, em particular, a presença da SVB no campo.

Diversas decisões trataram do fortalecimento das ligações, do trabalho e das tarefas internacionalistas. Deliberou-se engajar as organizações da SVB nas campanhas de emulação socialista entre os trabalhadores sem-partido junto aos comunistas, tanto urbanos quanto rurais.

Questão de especial destaque foi o trabalho entre as nacionalidades e minorias étnicas. As Resoluções da Plenária afirmaram que a situação do trabalho entre as minorias nacionais deveria constituir um dos critérios decisivos para avaliar o estado geral da atividade da União, vinculando-se estreitamente às grandes tarefas da educação internacionalista proletária.