Sistema de Senhorio nas Cidades

James Connolly

18 de novembro de 1899


Primeira edição: The Workers' Republic, 18 de novembro de 1899.

Fonte: Red Banner, N.º 18.

Transcrição: Aindrias Ó Cathasaigh.

Tradução e HTML: Guilherme Corona.

Creative Commons BY-SA 4.0


Em uma publicação anterior do Workers' Republic apontamos que a Corporação de Dublin tinha o poder de mitigar sensivelmente os sofrimentos da população industrial na Cidade por uma aplicação sábia e inteligente dos seus muitos poderes como um órgão público. Entre as várias diretivas que enumeramos como saídas práticas imediatas para a empresa corporativa, havia duas medidas aliadas que, se aplicadas, poderiam fazer muito de uma só vez para aliviar os males mais odiosos e diretamente urgentes provenientes do estado congestionado das nossas cidades. Essas medidas eram:-

e

A sabedoria da proposta para aumentar os fundos e utilizar os poderes de crédito da Corporação nesta maneira não pode ser questionada. A habitação dos trabalhadores de Dublin é uma desgraça para a Cidade; aluguéis altos e condições sanitárias vis são a regra, e ninguém na Corporação parece possuir coragem o suficiente para constatar a verdade, ou para enfrentar a tempestade de criticismo que seria direcionada ao conselheiro que tomasse a oportunidade para expôr na tribuna da Câmara Municipal a maneira na qual os interesses dos senhorios são protegidos, e o espírito da legislação sanitária é desrespeitado.

As chamadas empresas filantrópicas que professam atender às necessidades dos trabalhadores ao prover casas, etc., na realidade cobram aluguéis maiores do que a maioria dos senhorios individuais por aí. Todos lembramos como os proprietários da área de Coombe tentaram aumentar os aluguéis das suas casas, porque eles foram obrigados a realizar a construção de uma drenagem necessária, a qual eles culposamente negligenciaram fornecer quando sua propriedade estava sendo construía. Agora a Empresa de Abrigos de Artesãos de Dublin e Subúrbio está de maneira parecida iniciando uma tentativa de aumentar os aluguéis dos seus edifícios na Rua Cork em mais seis pence por semana, apesar de que a propriedade foi recentemente deixada na condição mais dilapidada - tetos vazando, caminhos destruídos, ruas cheias de buracos e perigos, e lâmpadas nunca acesas nas noites mais escuras do ano.

Ficamos felizes de notar que esta tentativa de extorção está sendo oposta pelos locatários de maneira muito espirituosa, e que provavelmente se provará bem-sucedida. O Conselheiro Cox também defendeu os locatários nesse assunto, e usou sua posição na Corporação para impedir o isenção de impostos que a empresa geralmente obtem por conta do seu caráter filantrópico.

Esta ação do nosso amigo, Conselheiro Cox, mostra quanto influência para o bem pode ser exercida pelos nossos representantes quando imbuídos do espírito correto. O que um Republicano Socialista poderia fazer para remediar agravos, e pressionar por medidas para o benefício dos trabalhadores, pode ser facilmente percebido por aqueles que observaram a astuciosa compreensão das questões públicas que sempre distingue o Socialista dos seus companheiros.

Mas, faltando as medidas citadas no começo deste artigo, todas as outras medidas podem ter somente um caráter de remédio parcial. Cada proposta carrega o selo de uma medida realmente prática; cada uma pode sobreviver ao teste de uma rígida análise econômica, e pode ser colocada em operação sempre que a democracia da classe trabalhadora for consciente o suficiente para demandá-la.

A taxação de casas não alugadas compeliria os donos da propriedade a aceitar aluguéis muito mais baixos do que demandam agora, para evitar a necessidade desagradável de pagar impostos sobre uma propriedade não-remunerativa. Mas a construção de casas para serem alugadas a custo de construção e manutenção colocaria na competição com o senhorio especulador, abrigos que, sem precisar dar dividendos, poderiam facilmente levar seus aluguéis a um ponto mais compatível com o bolso do trabalhador. Mais um ponto deve ser notado. Que uma grande proporção das casas em Dublin são de propriedade de pessoas pobres demais para mantê-las em um estado habitável. Quando este é o caso tais casas deveriam ser tomadas pela Corporação e feitas habitáveis pelo investimento público, ou onde seria muito custoso, demolidas. Os proprietários seriam compensados de acordo com a condição da sua propriedade quando tomada.

Deve ser lembrado, entretando, que todas essas medidas são meramente tetativas. Nossas cidades nunca podem ser feitas realmete habitáveis ou dignas de um povo consciente enquanto as habitações dos seus cidadãos continuarem a propriedade de indivíduos privados. Para permanentemente remediar os males da vida urbana os cidadãos devem ser proprietários da sua cidade.