Como socialistas - e portanto sempre ansiosos para usar todo o peso de qualquer influência que tenhamos ao lado das forças indo mais diretamente ao Socialismo - temos ficado frequentemente perturbados observando nos escritos e discursos de alguns dos nossos camaradas estrangeiros uma tendência para discriminar a favor da Grã-Bretanha em todas as complicações internacionais na qual o país possa estar envolvido em questões de anexação territorial, esferas de influência, etc., em parcelas bárbaras ou semicivilizadas do globo. Ficamos, repetimos, perturbados pelo assunto porque não simpatizamos de forma alguma com esta política pró-britânica, mas, pelo contrário, agradeceríamos a humilhação do exército britânico em qualquer um dos conflitos no qual ele está engajado atualmente, ou nos quais ele tem recentemente ameaçado. Isto admitimos livremente, mas a questão se coloca: Esta hostilidade ao Império Britânico é devida ao fato da nossa sujeição nacional e racial a essa potência, e existe apesar do nosso Socialismo, ou ela é consistente com as doutrinas que defendemos como partidários da propaganda Marxista, e como defensores da economia Marxista.
Esta é a questão que nos propomos a discutir brevemente em nosso artigo esta semana. Somos levados a discussão deste tópico observando que os Socialistas ingleses estão aparentemente divididos sobre a questão da guerra no Transvaal; uma seção da Federação Social Democrática estando fortemente pelos bôeres e contra a guerra; outra sendo declaradamente contra a guerra, mas igualmente denunciando os bôeres; e, finalmente, um líder socialista, o Sr. Blacthford, editor do Clarion e autor do Merrie England, defendendo descaradamente a guerra e brindando à saúde da rainha, e ao "Sucesso do exército britânico". Por outro lado todos os jornais do partido no continente da Europa e na América, pelo menos os quais temos conhecimento, estão nesta instância totalmente do lado do Transvaal e contra o que o órgão dos nossos camaradas austríacos adequadamente coloca como ato de "pirataria sanguinária" da Inglaterra.
Nos perguntamos se não há então um lugar comum nos quais os Socialistas podem concordar para tratar todos os assuntos de política internacional - um posicionamento comum do qual todas as questões de raça ou nacionalidade serão cuidadosamente excluídas, e toda questão tratada do ponto de vista do seu efeito sobre o desenvolvimento industrial necessário para fortalecer o movimento Socialista? Nominalmente todos os Socialistas defendem a solidariedade internacional do Trabalho, e a identidade dos interesses dos trabalhadores do mundo, e durante as guerras franco-germânica e espanhola-americana os Socialistas daqueles países demonstraram que a crença não era somente teoria abstrata, mas um fato vivo, concreto. Mas nosso amigo inglês, o Sr. Blatchford, deliberadamente descarta essa doutrina, e declara que "quando a Inglaterra está em guerra ele é inglês e vê todos aqueles que pegaram em armas contra a Inglaterra como inimigos para serem combatidos e derrotados." Isto é um chauvinismo desqualificado, e como um apoio brutal de todo ato de guerra e assassinato no qual os capitalistas da Inglaterra possam envolver seu país ele ilumina curiosamente o estado mental deste homem - quem quase derramou lágrimas de piedade sobre os erros e sobre a "semelhança com Cristo" dos Anarquistas expulsos do Congresso Socialista Internacional em Londres. Nosso estimado camarada, H.M. Hyndman da Federação Social Democrática, também em um artigo contribuiu para o Vorwaerts de Berlim e reimpresso no Justice defendeu a posição que a Inglaterra não deveria abrir caminho para a Rússia em Port Arthur, mas deveria ter lutado contra ela e garantido a supremacia inglesa no Extremo Oriente. Sua razão para isso sendo a maior liberdade disfrutada sobre o governo britânico do que sobre o russo.
O pronunciamento chauvinista do Sr. Blatchford pode ser ignorado como simplesmente uma predileção pessoal, e portanto não vinculante, mas as opiniões dos nossos camaradas na Federação Social Democrática da Inglaterra estão no mesmo nível, mas requerem considerações mais severas.
Para que não possamos ser acusados de criticar a atitude de outros sem declarar a nossa, agora registramos nossa posição em todas as questões de política internacional.
O Socialismo científico revolucionário nos ensina que o Socialismo só pode ser realizado quando o Capitalismo tiver alcançado o zênite do seu desenvolvimento; que consequentemente o avanço das nações desenvolvidas industrialmente no estágio capitalista da indústria é uma coisa altamente desejável, já que tal avanço gerará um proletariado revolucionário em tais países e forçará adiante a liberdade política necessária para o rápido sucesso do movimento Socialista; e finalmente, que como a expansão colonial e a conquista de novos mercados são necessários para a prolongação da vida do capitalismo, a prevenção da expansão colonial e a perda de mercados para países capitalistas desenvolvidos, como a Inglaterra, precipita as crises econômicas lá, e então dá um impulso ao pensamento revolucionário e ajuda a encurtar o período necessário para desenvolver países atrasados e então prepara as condições econômicas necessárias para nosso triunfo.
Esta é a nossa posição. Saindo de tais premissas vemos que como a Inglaterra é o país capitalista mais desenvolvido da Europa, toda nova conquista de território pelos seus exércitos, toda esfera de influência adquirida nos interesses dos seus comerciantes, é um tempo adicionado à vida da sociedade capitalista; e todo mercado perdido, cada esfera de influência capturada pelos inimigos não capitalistas da Inglaterra, encurta a vida do Capitalismo ao ajudar no desenvolvimento dos países reacionários, e jogando para trás a socialmente conservadora população industrial da Inglaterra.
O camarada Hyndman clama que deveríamos nos opor a Rússia porque seu povo é governado despoticamente, e favorecer a Inglaterra porque seu povo é politicamente livre. Mas isto é a argumentação de um político Radical, não a análise desapaixonada da história contemporânea que nós temos o direito de esperar de um economista e Socialista da reputação de Hyndman. Nosso camarada esquece de aplicar a filosofia materialista da história cuja ele mesmo fez tanto para popularizar na sua forma Marxiana, a ver, que o sistema econômica de qualquer sociedade é a base de todo o resto dessa sociedade - incluída sua superestrutura política. Se ele tivesse aplicado, ele perceberia que a liberdade política da Inglaterra vem do seu capitalismo. Sua classe capitalista necessitava uma classe de escravos assalariados possuindo tal liberdade de movimento que lhe permitiria estar disponível rapidamente onde quer que as exigências do capitalismo demandassem. Para ganhar tal liberdade absoluta de migração um movimento político teve que ser inaugurado colocando a classe capitalista na posição de romper os laços de servidão do trabalhador. Isso tendo sido uma vez conquistado a concentração capitalista dos trabalhadores nos grandes centros de população deu ao proletariado o sentido de números e oportunidades de organizações necessários para completar o trabalho do sufrágio político. Então as necessidades econômicas do capitalismo sempre e em todo lugar dão uma certa de liberdade política para seus escravos.
A Rússia não é ainda um país capitalista, portanto seu povo se curva sob o jugo de um autocrata. Isto é dizer que sua classe capitalista não é ainda forte o suficiente para forçar ao governo leis colocando as condições mais úteis para o desenvolvimento capitalista. Mas cada movimento na Rússia na direção da expansão colonial fortalece a classe capitalista na Rússia e fazendo isso gera lá a classe trabalhadora revolucionária. Por outro lado, se os desejos do camarada Hyndamn fossem realizados o capitalismo russo teria seu crescimento interrompido, e o descontentamento naquele país, faltando condições capitalistas, se resolveria em um movimento puramente agrário. O proletariado revolucionário continuaria inexistente.
Expulsem os russos da Polônia! Por todos os meios! Previnam sua extensão em direção à Europa! certamente; mas favorecer sua extensão e sua aquisição de novos mercados na Ásia (às custas da Inglaterra se necessário) se você quiser ver o Capitalismo se apressar para sua morte.
Pode ser colocado que nossa nacionalidade irlandesa joga um grande papel na formação desta concepção da política internacional aqui colocada. Não nos declaramos culpados, mas mesmo se fôssemos a objeção seria pueril. Como Socialistas baseamos nossa política na luta de classes dos trabalhadores, porque sabemos que o interesse dos trabalhadores dita nosso caminho. Que o interesse pode por vezes ser simples não afeta a retidão da nossa posição. De maneira semelhante o mero fato que o sentimento anti-britânico herdado (e frequentemente irracional) de um patriota irlandês chauvinista o leva para a mesma conclusão que chegamos como resultado dos nossos estudos econômicos não nos envergonha de colocar nossa posição, mas antes nos leva a comemorar que nossa propaganda é feita muito mais fácil por essa identidade muito comum de objetivo estabelecida como uma consequência do que estimamos como uma hostilidade forte e irreconciliável entre o Imperialismo inglês e o Socialismo.